F ragile
F lower
“Flores crescem,
florescem e brilham, por um tempo, depois murcham e morrem. Eu sou como uma
Flor”.
Meu nome é Victoria Marigold Beltrão, tenho
14 anos, logo farei 15, meus pais estão procurando um pretendente para mim,
como diz a Lei do país “Todo jovem quando completar 15 anos deve noivar e aos
18 se casar”, fazem isso para povoar o nosso país Tansy (Flor de Nacionalidade
Inglesa), Cidade Phelan (Cidade Pequeno Lobo).
Querem que eu me case logo, falta um mês para
meu aniversario, e a busca deles não ira demorar, certamente será o filho dos Durward,
o único da minha idade pela cidade, meus Pais pretendem dar uma festa no dia de
meu aniversario para aproveitar a data e anunciar meu noivado.
Estou um pouco insegura com isso, não sei se
estou pronta para noivar com alguém, minha saúde não é muito boa, sempre fico
doente por isso quase não saio de casa, quando consigo sair é sempre escondido,
adoro ir ver as frágeis flores do jardim, elas sempre murcham rápidas e logo
morrem, acho que posso representar minha saúde nessas flores, um dia não vou
mais estar aqui, é o que acredito.
26 Setembro 1885
Hoje meus Pais me apresentaram o meu futuro
noivo/marido, seu nome é Alan Benson Durward, ele me cumprimentou puxando minha
mão suavemente e a beijou, muito educadamente, mas ele em si não parecia estar
muito feliz com este noivado, assim como eu talvez ele não saiba se isso é o
certo a se fazer. Minha Mãe Dorothy Marigold Beltrão, ficou o tempo todo ao meu
lado enquanto a Senhora Laureen Benson Durward tagarelava, minha Mãe não era
desse tipo então ela só acenava com a cabeça o tempo todo, meu Pai Fergus
Beltrão conversava com o Senhor Harrison Durward na outra sala. Eu via que Alan
estava um pouco incomodado com a ocasião, mas quando me dirigia à palavra era
muito gentil, não demorou muito e os Durward foram embora, Mãe e Pai gostaram
de Alan e com certeza era ele com quem eu passaria minha vida, até o fim.
Depois da visita dos Durward, fui ao meu
quarto lugar onde passava a maior parte do dia, peguei uma flor do vazo ao lado
de minha cama e comecei a imaginar. Um pássaro voando, livre, desimpedido,
sobre os campos floridos o cheiro das flores era forte, e subia ao passar por
uma montanha, com toda sua força, cada vez mais alto avistando o brilho do sol
no final do horizonte. Um sentimento forte brotando no peito, com os olhos
fechados, lacrimas escorrem, a flor encontra-se com o chão frio aos meus pés e
o sonho de liberdade acaba. O corvo Beltrão batia com seu pico em minha janela
como toda tarde, sempre me trazendo uma flor diferente, com um aroma diferente.
Caminho até a mesa e dou corda a minha caixinha de musica, e em pé diante da
mesa o corvo voa em meu ombro, junto minhas mãos e faço um pedido. Antes mesmo
de terminar o pedido ouço alguns gritos vindos do quarto ao lado, minha irmã
brigava novamente com minha mãe, era sempre assim, elas nunca se entenderam
bem, mas minha irmã sempre evitou falar com ela, por algum motivo.
Horas se passara e já estou na cama olhando
para o teto, minha caixinha de musica ainda tocava, mas algo parecia diferente,
me virei e fechei meus olhos para sonhar com as flores. De manha, bem cedo,
antes que todos se levantassem, fui até o jardim, às flores estavam morrendo
mais uma vez. Ouço um barulho ao fundo, minha irmã, estava usando roupas
estranhas e carregava uma mala.
“Desculpe abandona-la minha irmã, mas não
posso ficar, seja feliz e cuide de sua frágil saúde”.
Com lacrimas nos olhos ela saiu pelo portão
da frente, segui seus paços até a entrada e a observei sumir na neblina daquela
manha tortuosa. Ao voltar para o quarto, um pequeno pacote em minha mesa, um
presente, eu sabia que era dela, mas não o abri. Meus pais a procuraram até o
dia do meu aniversario, eles não encontraram nada, nem pistas, mas naquele dia
resolveram esquecer este assunto, me arrumaram como se fosse uma princesa e ao
descer as escadas milhares de pessoas que eu nunca vi me observava, ele estava
entre eles, Alan me olhava fixamente, e meus olhos não viam mais os convidados
desconhecidos, como se só eu e ele estivéssemos lá naquele momento, durante
toda a festa ele estava aqui, e seus olhos verde claro, cada vez mais profundo,
meu coração acelerou um pouco, e diante de todas aquelas pessoas nosso noivado
foi anunciado, pessoas aplaudiram, mas senti um vazio que só era preenchido por
aqueles olhos, aquele olhar intenso. Alan agora estava ao meu lado, segurando
minha mão e onde quer que fossemos ouvíamos aqueles estranhos dizendo o quanto
formávamos um lindo casal, me senti um pouco tonta, afinal era a primeira vez
que havia visto tantas pessoas, ele pareceu perceber e me levou para o jardim,
as flores murchas já não estavam mais lá, agora tinham sido substituídas por
flores novas provavelmente para a festa.
Alan e eu nos sentamos em um banco onde havia
um arco cheio de flores vermelhas em volta, ele me olhou nos olhos, parecia um
pouco preocupado, mas nada disse, ficamos nos encarando por alguns minutos e
ele se levantou e deu um passo a frente parando e olhando para mim, abriu a
boca, mas nenhuma palavra foi dita, sorriu e se virou. O jardim agora estava
sendo iluminado pela luz da lua e com a luz alguns vagalumes começaram a
aparecer. De costas ele começou a falar, sua voz era suave e pode sentir certo
conforto no som, ele me elogiou, disse que estava linda e que não se sentia
mais incomodado com o noivado, então virou e olhou para mim dizendo “Acho que
posso estar me apaixonando pela senhorita neste momento”, meu coração palpitou
e algo no meu estomago, um sentimento estranho, não sabia exatamente o que
dizer a ele, eu só o olhei e sorri. Minha Mãe nos interrompeu, ela queria me
apresentar ao Senhor e Senhora Winston, Alan segurou minha mão e a beijou
suavemente e me olhou nos olhos, achei que meu coração fosse saltar para fora
do peito, e então minha Mãe quase que me puxou para sala me levando onde o
casal Winston estava.
Essa noite foi cansativa, mas acho que também
posso estar me apaixonando por Alan.
O Corvo Beltrão estava na arvore do lado de fora
de minha janela e olhava para mim, parecia estar sorrindo, mas pássaros não
podem sorrir. A caixinha de musica continuava na mesa, o quarto escuro sendo
pouco iluminado pela luz da lua, o silencio, tudo estava calmo e tranquilo
agora. Eu prefiro o silencio de uma madrugada ao barulho de uma festa agitada.
Fechei meus olhos e imaginei um enorme campo cheio de flores onde corria
livremente sem me preocupar com nada, respirando fundo e apreciando aquela
maravilhosa paisagem e assim, peguei no sono.
Em breve a continuação.


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