27 Setembro 1885
Hoje meus pais voltaram a procurar por minha
irmã, fiquei sozinha em casa com as empregadas, gosto quando fico a sós com
elas, pois posso ficar no jardim o quanto quiser, poder sentir a terra em meus
pés, o cheiro das flores novas, infelizmente está manha o sol havia se
escondido entre as nuvens, estava nublado, mas não parecia que iria chover,
ajudei a regar as flores e na horta, os vegetais estavam prontos para serem
colhidos e tinham uma ótima aparência. Mais tarde já em meu quarto novamente
pude ouvir a carroça parando em frente de casa, meus pais já estavam de volta,
mas não pareciam felizes, desci até metade da escada e ouvi minha Mãe chorando
e meu pai brigando com ela nervoso.
_Você devia ter se dedicado mais ao criar sua
filha, agora estamos nesta situação, uma filha perdida por ai!
Mesmo que ela estivesse perdida por ai não
creio que as pessoas a notassem, ela nunca saia de seu quarto, nem mesmo nas
poucas ocasiões que tivemos visitas, ela às vezes vinha em meu quarto a noite
cantar para mim, mas quando acordava ela já não estava mais lá. Minha irmã
sempre escondeu seu rosto, nunca o mostrava, sempre escondia com o longo cabelo
loiro, eu nem sequer sei a cor de seus olhos. Mesmo se alguém a visse por ai
não a reconheceria, ninguém a conhece. Nem mesmo eu.
Ao anoitecer, eu não me sentia muito bem, meu
corpo estava pesado e senti muito sono, meus pais começaram a se preocupar,
mais uma preocupação, eu estava doente novamente, uma febre. O Doutor veio até
minha casa, já estava familiarizada com ele, já que tinha febre pelo menos 2
vezes ao mês, já sabia que repouso e muita água eram as regras principais.
Minha Mãe descobriu que passei a manha no jardim e brigou com as empregadas,
não foi culpa delas, sempre tive a saúde fraca, mas sempre insistia para que
elas me deixassem sair. Um tempo depois, recebi a visita de Alan, ele parecia
exausto, havia corrido até minha casa quando ficou sabendo que eu estava
doente. Ele segurou minha mão e mais uma vez a beijou daquele jeito suave, e um
olhar tão gentil e ao mesmo tempo preocupado.
_Melhore logo Senhorita Victoria, tem um lugar que gostaria muito que conhecesse, por isso, melhore logo.
Sorri para ele, mas dessa vez pude sentir o calor de sua mão em meu rosto me acariciando, passou para meus cabelos e seus olhos fixos nos meus.
_Melhore logo Senhorita Victoria, tem um lugar que gostaria muito que conhecesse, por isso, melhore logo.
Sorri para ele, mas dessa vez pude sentir o calor de sua mão em meu rosto me acariciando, passou para meus cabelos e seus olhos fixos nos meus.
_A Senhorita é uma criatura maravilhosa, bela
demais para adoecer.
E com essas palavras fechei os olhos e
adormeci. Durante a madrugada, acordei com um som, era o Corvo Beltrão sobre a
mesa, a janela estava aberta e ele pareceu preocupado, me sentia melhor então
levantei e fui até ele e acariciei suas penas brilhantes e negras, um vento
frio invadiu o quarto e ao olhar lá para fora vi pequenos pontos brancos caindo
do céu nebuloso, estava nevando, nesta época não era comum nevar, e o tempo não
estava tão frio nos dias anteriores, fechei a janela e voltei para cama, o
Corvo Beltrão ficou ao meu lado, dormiria ali, pois lá fora não tinha como
passar a noite.
A manha estava bem fria por causa da neve, os
empregados corriam para por a mesa do café da manhã e meus pais desciam á
escada ainda preocupados com minha saúde, mas se aliviaram a me ver sentada na
sala com linha e agulha em mãos. Eu estava pensando nas palavras de Alan, ele
disse que queria que eu conhecesse um lugar, mas não sei se meus pais me
deixariam sair, ainda mais se o tempo continuar assim. Sinceramente quero
conhecer este lugar, do fundo do meu coração desejo visitar este lugar com
Alan.
Minha Mãe me chamava para tomar o café da manha,
me sentei à mesa e Annie uma das empregadas que sempre me deixava sair veio
trazer meu suco como de costume, Meu Pai ainda parecia nervoso e falava de
minha irmã, decidiram não procurar mais por ela e se alguém perguntasse o que
eu acho muito difícil de acontecer já que ninguém a conhecia, diriam que a mandaram
estudar fora do pais.

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